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:: O lucrativo filão de reciclar lâmpadas
Gazeta Mercantil :: 02/03/2007 ::

A necessidade das grandes corporações serem ambientalmente corretas e darem um destino adequado a seus materiais de consumo tem proporcionado a abertura de novos nichos de negócios na área de prestação de serviços. Criada em 2005, a partir do desenvolvimento de um equipamento para eliminar o perigo de quebra e evaporação na atmosfera do mercúrio existente em lâmpadas fluorescentes, a Bulbox, de Curitiba, faturou R$ 900 mil em 2006, mas já prevê um salto para R$ 4,7 milhões em 2007, com a expansão para vários estados brasileiros através de licenças e a conquista de clientes como a Petrobras, Prefeitura Municipal de Curitiba, Infraero, Sanepar, Fundepar, PUC/PR e Brasil Telecom.

A Bulbox nasceu dentro da Ambiensys, companhia de engenharia ligada à gestão ambiental e corre o risco de se tornar mais importante que a empresa mãe a partir de uma idéia que resolveu um problema aparentemente simples: o Brasil consome por ano aproximadamente 100 milhões de lâmpadas fluorescentes e, deste total, apenas 6% das lâmpadas descartadas passam por algum processo de reciclagem.

As grandes corporações, que produzem milhares de lâmpadas queimadas todos os anos, têm de arcar com grandes custos de armazenagem, transporte e seguro, para enviá-las a empresas que, de alguma maneira, recuperavam o mercúrio. Além de contaminar o meio ambiente, pode causar problemas neurológicos em seres humanos.

“A Bulbox desenvolveu um equipamento que elimina os riscos de transporte e seguro porque descaracteriza as lâmpadas no próprio local de origem. Imagine se uma carreta transportando milhares de lâmpadas sofre um acidente, o tamanho do problema ambiental que pode gerar”, conta Ricardo Barros, diretor da Ambiensys. “Isso cria um custo que, às vezes, chega a ser três vezes superior ao preço de uma lâmpada para elimina-la.”

Segundo ele, somente a Petrobras produz 2,5 milhões de lâmpadas fluorescentes queimadas por ano e chegava a pagar R$1,50 para destruir lâmpadas que custavam R$0,50.

O equipamento foi desenvolvido e aperfeiçoado a partir de um antigo projeto dinamarquês. Patenteado e batizado de Bulbox, a marca passou também a denominar a nova empresa hoje com 12 funcionários.

 

Processo

Ele consiste na descaracterização da lâmpada a seco, com uma bomba de vácuo onde se adiciona carvão e enxofre ao mercúrio que é transformado num sal que não gera passivos ambientais. Nele foi incorporada uma inovação através de um software que impede o funcionamento quando um dos seus três filtros tem de ser substituído.

O vidro e o alumínio são encaminhados a empresas que utilizam estes materiais, como cerâmicas e metalúrgicas ou são depositados em aterros próprios. Como 95% dos usuários que consomem este tipo de lâmpada pertencem ao comércio, indústria ou serviços dá para avaliar o mercado que está se abrindo para a empresa curitibana.

O serviço de coleta atende as solicitações das empresas independentemente do volume de lâmpadas a ser descartado porque o equipamento Bulbox é portátil e capaz de triturar até 1.500 lâmpadas por dia, armazenando resíduos – vidro, alumínio, fósforo e mercúrio em um sistema a vácuo sem riscos de contaminação do ar por gases nocivos e com total segurança na operação. “Nós também desenvolvemos um veículo com equipamento para eliminar três mil lâmpadas por dia para atender pequenas e médias empresas”, diz Barros.

O projeto já atraiu empreendedores interessados na Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná. Estão sendo licenciados operadores no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina e se iniciaram os contatos para licenças em Brasília, Maranhão e Amazonas. “Nosso objetivo é entrar nas principais capitais onde estão os grandes clientes. A Infraero, por exemplo, administra 66 aeroportos”, aponta o diretor. “Em São Paulo a licença de operação para o estado inteiro levou um ano para sair, mas começamos a operar em 6 de fevereiro passado e só este mercado representa 38% das lâmpadas consumidas no Brasil. Em 2006 foram destruídas 450 mil lâmpadas somente no Paraná.”

A Bulbox abriu duas frentes de faturamento: trabalha com seus próprios clientes no Paraná e vende o equipamento a empreendedores que queiram entrar no negócio e que pagam direito de uso. “A empresa vai faturar neste ano R$ 3 milhões com a venda do equipamento – cada máquina custa R$24 mil. - e outros R$ 1,7 milhão com a prestação do serviço, revela Barros.

A Bulbox também está recebendo consultas do exterior e pretende iniciar a exportação para a América do Sul a um preço de US$ 15 mil cada máquina. A empresa também fornece uma certificação reconhecida para clientes que estejam atuando dentro de parâmetros de certificações internacionais como as normas da ISO 14.000.

“Nós também fornecemos a completa rastreabilidade da descaracterização das lâmpadas e para isso estamos negociando com os grandes fabricantes a colocação de um código de barra que identifique a origem do material. Um dos problemas que temos para rastrear a origem do produto é que quase 20% das fluorescentes consumidas no Brasil são falsificadas e vem via Paraguai”, informa o diretor.

 

Risco de contaminação

- O Brasil consome anualmente aproximadamente 100 milhões de lâmpadas fluorescentes – deste total, apenas 6% das lâmpadas descartadas passam por algum processo de reciclagem

- Aproximadamente 95% dos usuários pertencem ao comércio, indústria ou serviços. Apenas 5% são residenciais

- Apenas 10% dos municípios brasileiros dispõem seus resíduos domiciliares em aterros sanitários

- Aproximadamente 77% dos usuários brasileiros descartam lâmpadas fluorescentes queimadas em lixões, aterros industriais ou sanitários que favorecem a contaminação do solo, subsolo e manaciais hídricos

- Além de contaminar o meio ambiente, o mercúrio pode causar problemas neurológicos em seres humanos.

Fonte: Ambiensys

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