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:: Sobrevida da Caximba depende dos municípios, diz MP
Jornal do Estado :: 02/03/2007 ::

As informações sobre o volume de lixo que cada município despeja no aterro sanitário do Caximba estão acessíveis ao público. O Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça do Meio Ambiente, órgão do Ministério Público, disponibilizou na internet um acompanhamento sobre o material lançado no principal aterro da Região Metropolitana de Curitiba, como forma de pressionar as 15 cidades que usam o espaço a melhorar a gestão de resíduos e adiar seu iminente colapso.

No relatório, o MP relata que o volume total de lixo jogado no Caximba passou de 670 mil para 707 mil toneladas de 2005 para 2006. O acompanhamento, com o total discriminado por município, está na página www.mp.pr.gov.br/cpmeio/ma_index.html. O MP estima que, sem redução no montante de lixo depositado diariamente, o Caximba atinja seu limite em dois anos.

Curitiba é responsável por 70% deste montante. No ano passado, a cidade contribuiu para reduzir o material com a remodelação do Lixo que não é Lixo. De acordo com a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Sema), o incremento do programa fez crescer o volume de material reciclado em 39% em 2006, em relação ao ano anterior. “Mas esta média ainda pode ser melhorada. Seguimos investindo na divulgação do programa e em educação ambiental”, afirma Mário Sérgio Rasera, ex-secretário e superintendente de controle ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente.

Mas, para o MP, a reciclagem é só uma das medidas indicadas para reduzir o volume de lixo aterrado. “Enquanto os municípios não fizerem compostagem, não adianta nada”, afirma o procurador Saint-Clair Honorato Santos, referindo-se ao processo que transforma de lixo orgânico (normalmente restos de comida) em composto utilizável na agricultura. De acordo com o procurador, cerca de 40% do lixo levado ao Caximba é orgânico, e através da compostagem todo este volume deixaria de ser levado ao aterro.

De qualquer forma, a lei federal 11.445/07, sancionada em janeiro, obriga os prefeitos a executarem programas de reciclagem e compostagem no prazo de um ano. “A lei veio um pouco tarde, mas corrobora com tudo o que vínhamos cobrando das autoridades públicas”, disse Santos.
Podem ser dois anos de vida útil, ou até mais, se os municípios melhorarem a gestão de resíduos sólidos. Mas a sobrecarga do aterro sanitário do Caximba é inevitável, e os órgãos públicos ligados ao meio-ambiente já debatem qual a melhor saída para o futuro do recolhimento do lixo na Região Metropolitana de Curitiba.

Atualmente, uma equipe de técnicos designados pelo Consórcio Intermunicipal para Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos – que reúne Curitiba e as outras 14 cidades da região que depositam detritos no Caximba – avalia a localização de um novo aterro. Simultaneamente, o grupo estuda a aplicação de novas tecnologias, como compostagem, termodestruição, desidratação para uso como combustível e aterro com recuperação de biogás, e a viabilidade econômica de cada sistema.

Criado em 1989, o aterro do Caximba – que difere de ”lixões” como o da Lamenha Pequena por respeitar normas técnicas, como sistema de drenagem, solo de argila, e tratamento de chorume (líquido escoado do lixo) – tinha vida útil inicial prevista até o ano 2000. Porém, os vários entraves judiciais e administrativos para implantação do novo aterro levou a uma reforma emergencial, em 2003, que ampliou a vida útil do Caximba.

Quando sua capacidade estiver definitivamente esgotada por falta de espaço, o Caximba será selado com manta ou argila. Mas o ônus ainda será carregado por Curitiba. “O chorume seguirá escoando por tempo imprevisível e terá que ser tratado”, explica o superintendente de controle ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Mário Sérgio Rasera. (CS)

 

Seletiva

O volume de material reciclável recolhido pelos caminhões do Lixo que não é Lixo cresceu 40% até novembro de 2006, em comparação com o mesmo período ano passado. O recorde de coleta foi batido em outubro do ano passado quando foi recolhido um total de 1.006 toneladas. Em outubro do ano anterior este volume foi de 607 toneladas. O último ano em que a coleta do Lixo que não Lixo fechou com aumento foi em 1998. Para se ter uma idéia, 2004 em relação a 2005, a queda foi de 11,5%.

O secretário municipal do Meio Ambiente, José Antonio Andreguetto, atribui o resultado à campanha de separação do lixo feita pela Prefeitura. “Comemoramos a participação e a adesão da população que depois de 17 anos voltou a ter contato de forma massificada com o assunto, e a entender melhor sua responsabilidade como geradores de resíduos”, disse na época.

Os registros de coleta seletiva mostram que depois do lançamento da primeira e segunda etapa da nova campanha, em fevereiro e junho, os índices da coleta seletiva foram aumentando a cada mês, comparado com os mesmos períodos de 2005.

Em março e abril, o índice foi de 27%;em maio, 34%; em junho, 30%; em julho, 43%, em agosto, 61%; em setembro, 67%; em outubro, 65% e novembro, 57%. Somados estes meses, em 2006 a prefeitura coletou 9.422 toneladas de lixo reciclável. Apesar do bom desempenho demonstrado até agora, o secretário diz que é preciso consolidar os resultados.

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