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:: Lâmpadas, um lixo muito complicado
Folha de Londrina :: 14/03/2007 ::

Cerca de 70 milhões de lâmpadas são descartadas anualmente no Brasil. Este dado é da Apliquim Tecnologia Ambiental, empresa de descontaminação de resíduos e produtos sediada em Paulínea, interior de São Paulo. Levando em consideração que uma lâmpada fluorescente - que contém mercúrio - é capaz de contaminar 20 mil litros de água, surge uma preocupação urgente para todos nós: o que fazer com as lâmpadas fluorescentes usadas?

“Aqui em Londrina ainda não temos uma orientação clara. Alguns clientes dizem que temos que dar o destino correto, mas não fomos orientados a isso. Então eu guardo enquanto busco uma solução que não prejudique o ambiente e nem o orçamento da minha empresa”, afirma o gerente de uma empresa de materiais elétricos, Carlos Roberto Menegazo. Leandro Peres, gerente de outra loja do ramo, pensa deferente: "Não pegamos nada dos clientes, porque não temos como assumir essa responsabilidade".

A confusão dos comerciantes tem sentido. De acordo com o presidente do Conselho Municipal de Meio Ambiente, Fernando de Barros, o descarte deste material ainda não está regulamentado em Londrina. “Teremos uma reunião com a promotora do Meio Ambiente (Solange Vicentin) para discutir isso. Por enquanto, as leis ambientais seguem uma linha poluidor/pagador, ou seja, se uma empresa consome, tem que dar o destino adequado”.

Para o cidadão esse raciocínio pode ser complicado, pois não há um lugar para descarte no município. Entre os empresários, a alternativa encontrada tem sido o encaminhamento do material para uma empresa especializada no descarte e reciclagem de material contaminante. “Nós temos um acúmulo de cerca de três mil lâmpadas por ano. Armazenamos e uma empresa de Santa Catarina (SC) busca e dá a destinação”, explica a gerente de Segurança e Meio Ambiente da Milenia Agro Ciências, Ângela Helena Pessato.

Empresa do ramo de agroquímica, a Milenia gera 300 toneladas de lixo reciclável por ano, sendo que duas toneladas são de lâmpadas. “É uma porcentagem baixa, mas que precisa de destino correto. Por cada lâmpada descartada pagamos R$ 0,45 para a unidade da Milenia de Taquari (RS) e R$ 0,75 para a de Londrina, em função da distância com a empresa catarinense que faz o descarte. Um custo que consideramos baixo, visto a importância para a natureza”.

Na Universidade Estadual de Londrina (UEL) a solução encontrada foi a mesma. "Foi contratada uma empresa para recolher todo o lixo químico, inclusive as lâmpadas, porque esse mercúrio delas não pode entrar em contato com a natureza”, destaca o prefeito do campus, Walter Germanovix. Ele explica ainda que um abrigo foi construído para armazenar as lâmpadas até que a empresa especializada venha buscá-las. “E temos professores do Departamento de Química desenvolvendo projetos relacionados ao descarte destes materiais, o que queremos incentivar para termos alternativas próprias de destinação".

Leia mais sobre pesquisa da UEL que usa tecnologia para descontaminação e reciclagem de lâmpadas fluorescentes nesta edição do Casa & Conforto.

 

Recicladores não devem pegar lâmpadas

Sem saber o que fazer com as lâmpadas fluorescentes queimadas, muitos londrineses as colocam junto do material que será encaminhado às equipes de reciclagem. “Chega um monte de lâmpadas e pilhas, só que a gente não tem o que fazer. Nós separamos do material reciclável e empilhamos aqui no barracão”, revela a integrante da Associação de Recicladores Reciclando Vidas, Verônica Cardoso Costa.

O problema acontece quando as lâmpadas quebram. “O duro é que a molecada apronta, quebra tudo e às vezes até pega escondido para fazer cerol de pipa. A gente fala do perigo do mercúrio, mas não tem o que fazer com eles”. Além disto, os próprios recicladores ficam expostos a riscos. “As pessoas colocam dentro do saco e não avisam. Se essa lâmpada quebrar, pode cortar e contaminar um reciclador. Nós que sabemos, tomamos cuidados, mas e os carrinheiros?” alerta.

Segundo a página da Organização Não-Governamental (ONG) Ambiente Brasil na internet, o mercúrio pode prejudicar o cérebro humano, o fígado, o desenvolvimento dos fetos, além de causar distúrbios neuropsiquiátricos. “Por isso não podemos deixar esse elemento químico entrar em contato com ninguém, nem com a terra, porque senão cai na água”, alerta Verônica.

De acordo com o coordenador do Programa de Coleta Seletiva de Londrina, Josh Paulo da Silva, a orientação aos recicladores é de não recolher as lâmpadas das residências e nem dos estabelecimentos comerciais. “Caso isso aconteça e esse material vá parar no barracão, pedimos que armazenem para podermos buscar e levar a um local mais adequado, porque lá é extremamente perigoso por causa das crianças”, Silva não esclareceu para onde esse material é levado e com que freqüência isso é feito. (G.B.)

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