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:: Lâmpadas fluorescentes: Descarte causa transtornos a empresários
Tribuna do Interior :: 21/06/2008 ::

 

Ultimamente, uma situação tem "tirado a paz" de alguns empresários; trata-se, da destinação das lâmpadas fluorescentes. Proibidas de serem descartadas no meio-ambiente, esses produtos se tornaram pivôs de um impasse envolvendo consumidores, comerciantes, fabricantes e governo.

Por lei, os revendedores são obrigados a receber as lâmpadas utilizadas pelos consumidores. O problema é que os fabricantes não estão aceitando de volta esses materiais, deixando as lojas sem alternativa quanto à destinação do produto.

"Certa vez eu falei que encaminharia esse material para uma indústria, e eles me responderam que eu teria que pagar por dois fretes, já que eles me mandariam de volta", declarou indignado Ademir José de Souza, que é proprietário de uma instaladora em Campo Mourão.

Sem opção, muitas empresas estão armazenando o produto, que além de oferecer riscos, ocupam boa parte dos depósitos. Por outro lado há consumidores que criticam algumas lojas por não querer aceitar as lâmpadas de volta.

Diante do impasse, a Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente (Seama), está notificando todos os estabelecimentos comerciais de Campo Mourão que fazem a venda de lâmpadas fluorescentes e de baterias.

Com base na legislação, as empresas terão o prazo de 15 dias para disponibilizar coletores para esses materiais. Esses pontos de coleta devem estar em locais visíveis ao público e devidamente sinalizados. "Para a lei, as lojas que fazem a revenda são co-responsáveis por esse material. Portanto, ela é obrigada a receber os produtos dos clientes", explicou o secretário de Agricultura e Meio Ambiente, Celso Hruschka.

Segundo a lei municipal nº 1.701 de 12 de maio de 2003, fica estabelecido em seu artigo 19-A: "Os fabricantes, importadores e revendedores, conforme o caso, ficam obrigados a receber do comprador, os produtos usados". Além das lâmpadas fluorescentes, a mesma lei inclui as baterias para carros, telefones celulares, baterias eletroquímicas (como pilhas comuns e alcalinas), entre outros equipamentos eletrônicos.

Reciclagem - Uma opção para os empresários seria a reciclagem desse material, porém, surge outra barreira, a questão do preço, que podem variar de R$ 0,60 a R$ 1,70 por lâmpada. Além disso, são poucas as empresas que fazem a descontaminação e reciclagem do produto no Brasil.

"O custo está inviável para nós. Dependendo do caso chega a ser até mais caro que o nosso próprio lucro. Acredito que precisa haver uma discussão maior sobre essa questão", afirmou José de Souza Neto, que é proprietário de uma instaladora e que também reclamou do excesso de lâmpadas que estão armazenadas em sua loja.

Outro que está com o mesmo problema é o empresário Edson Kehl, que já contabiliza mais de mil lâmpadas armazenadas em sua instaladora.

Ele revelou que não é contra a devolução das lâmpadas pelos clientes, mas acha que as indústrias também deviam colaborar.

"Enquanto temos espaço estamos armazenando em nosso depósito. Se a lei não for cumprida por todos e não tivermos mais onde colocar esses produtos teremos que enviar todo o material para uma empresa de reciclagem e arcar com os custos", explicou Kehl, que não descarta um possível aumento no preço das lâmpadas.

O empresário também defende a conscientização junto a comunidade. "Muitas pessoas não sabem que não devem quebrar as lâmpadas ou jogar no lixo. Esse produto causa um dano muito grande ao meio-ambiente e deve ser devolvido no local onde foi adquirido, e não ser descartado de qualquer forma, como já presenciei".

Lâmpadas - As lâmpadas fluorescentes (também chamadas de lâmpadas de mercúrio ou de lâmpadas frias), contêm substâncias nocivas ao meio ambiente, como metais pesados, onde sobressai o mercúrio metálico.

De acordo com sites especializados, enquanto intacta, a lâmpada fluorescente não oferece risco para o manuseio. Entretanto, ao ser rompida, libera seu conteúdo de vapor de mercúrio que, quando aspirado, causa intoxicação.

Dependendo da temperatura do ambiente, o vapor de mercúrio pode permanecer no ar por vários dias, sendo absorvido principalmente pelos pulmões. Por outro lado, o aterramento das lâmpadas permite que o mercúrio se infiltre no solo, podendo contaminar as plantas e os mananciais.

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