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:: Cobertura despenca sobre lixo tóxico
Tribunal do Vale :: 27/02/2007 ::

Não é por falta de aviso. Desde 2003 a Tribuna do Vale vem insistentemente alertando as autoridades sobre os riscos para a população de Jacarezinho e ao meio ambiente, pela presença de centenas de tambores com produtos tóxicos oriundos de indústrias e armazenados ilegalmente a 500 metros da Catedral Diocesana, em plena área urbana do município. Em virtude das chuvas intensas e depreciação do imóvel, parte da cobertura do barracão alugado pela Resicor, empresa que causou o problema, despencou sobre os galões, sem contar que a cobertura externa foi arrancada pela força dos ventos.

Como se não bastassem os milhares de tambores metálicos que sofre a ação da corrosão causada pela oxidação, agora centenas de galões que estavam protegidos sobre a cobertura e dentro do barracão, também estão expostos à ação do tempo. Segundo um antigo funcionário da Resicor, os produtos mais voláteis e tóxicos, que reagem com maior risco às alterações de temperatura, foram colocados sob a cobertura para reduzir os riscos de acidentes. Agora, com a queda de parte do telhado e madeiramento, além da cobertura externa, esse risco aumenta.

Segundo vizinhos do depósito, o acidente aconteceu no início da manhã do último dia 19, segunda-feira de carnaval, quando foram acordados por um estrondo. Não havia ninguém no local e, segundo esses informantes, o vigia que toma conta da área somente ficou sabendo e avisou os patrões depois das 8 horas, quando chega para o trabalho.

 

Justiça busca solução

O depósito de lixo tóxico da Resicor, uma empresa com sede em São Paulo, especializada em reciclagem de borra de tinta de indústrias, começou a ser formado a partir de 2002, quando a empresa, clandestinamente, começou a receber efluentes industriais tóxico, trazidos, principalmente, de fábricas paulistas. Sob a fachada de reciclar tais produtos, a empresa passou a atuar como depósito ilegal.

O Instituto Ambiental do Paraná (IAP), que deveria fiscalizar a Resicor, se omitiu da função e acabou sendo responsabilizado criminalmente pela Justiça Estadual, além da empresa que também responde a processo judicial.

Desde 2004 a Justiça tenta encontrar uma saída para o problema. O que impedia a retirada dos produtos tóxicos era a ausência de coleta do material para análise química para determinar quais e os riscos oferecidos pelos efluentes industriais. Ano passado o Departamento de Química da Universidade Estadual de Londrina (UEL) indicou uma professora da instituição que esteve na cidade e coletou as amostras. O resultado, no entanto, até o momento não foi divulgado.

Desde o início deste ano a Justiça nomeou um auditor para encontrar uma empresa que se interesse em realizar a retirada dos tambores, que segundo estimativas, passam  de 10 mil unidades. A informação foi prestada pelo juiz que preside a ação, Rodrigo Otávio Gomes do Amaral, que tem pressa numa solução.

Uma fonte informou que, em razão da emergência provocada pela queda da cobertura, uma solução negociada deve sair ainda nesta semana, para a imediata retirada do lixo tóxico. O auditor, Mário Negrisoli informou na tarde de ontem, que o caso está quase resolvido, mas preferiu aguardar até amanhã, quarta-feira, para dar uma informação oficial.

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