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:: Lixo tóxico será retirado em 60 dias
Tribunal do Vale :: 28/02/2007 ::

O problema que envolve o depósito irregular de centenas de galões e tambores com lixo tóxico na região central de Jacarezinho parece ter data para ser solucionado. É o que garante o juiz Rodrigo Otávio Gomes do Amaral, titular da Vara Civil da Comarca de Jacarezinho, que está analisando o caso. Segundo ele, em 60 dias o lixo tóxico deverá ser retirado do armazém improvisado, que abriga os tambores de forma irregular há mais de quatro anos.

De acordo com o juiz, a remoção dos galões será feita com o apoio da própria Resicor Tintas e Solventes Ltda., que é a proprietária do material e ré na ação, assim como o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), na ação movida pelo Ministério Público Estadual (MPE). A retirada somente foi definida depois que a Justiça nomeou um auditor para avaliar a possibilidade de transferir o material do local. O lixo tóxico deverá ser levado para empresas especializadas na destinação correta do material.

A Justiça também aguarda a liberação de recursos por parte da Secretaria Estadual do Meio Ambiente para ser concluída a perícia que vai revelar quais materiais tóxicos estão armazenados naquele local.

A situação no armazém que guarda os tambores e galões da Resicor ficou mais delicada depois que o telhado da construção cedeu esta semana, caindo sobre parte dos tambores. Boa parte dos recipientes se abriu, deixando à mostra parte do lixo tóxico.

São cerca de 20 mil tambores carregados de produtos químicos, considerados altamente tóxicos, que estão estocados de forma irregular a menos de 500 metros do centro de Jacarezinho. Além dos tambores, o depósito também abriga outros tipos de recipientes, como galões de plástico e papelão.

A Resicor, empresa que atua na fabricação de solventes e tintas, utilizava o local como depósito de lixo industrial, mas a área foi interditada pela Justiça no primeiro semestre de 2004. Desde então, a situação no local se agravou. O depósito foi lacrado, mas os produtos continuaram armazenados sofrendo a ação do tempo. Parte dos tambores sofreu corrosão e os produtos estão vazando. Há risco de contaminação do lençol freático.

A empresa responsável pelo material possuía autorização ambiental somente para operar na reciclagem da borra de tinta, mas acabou transformando o local em um depósito de lixo químico para várias indústrias do Estado de São Paulo.

A maioria dos tambores é de metal e praticamente todos estão sofrendo oxidação. Além disso, em dias de altas temperaturas ocorrem explosões, que provocam vazamento de gases. Um homem que toma conta do local, e que pediu para não ser identificado, confirmou que é comum ouvir o som de pequenas explosões.

 

Produtos sem selo de identificação

Os produtos depositados na área não podem ser identificados, já que grande parte das informações grafadas nos galões foi encoberta com tinta. No entanto, o ex-encarregado da empresa, Joaquim Antônio Piveta, contou que no local encontram-se produtos como hexeno, usado na fabricação de plástico e poliuretano. Segundo Piveta, os produtos são altamente tóxicos e podem ser usados inclusive na fabricação de explosivos. Ainda de acordo com ele, amônia contaminada e produtos inflamáveis completam a lista das irregularidades no local.

A diretora da empresa, Maria Aparecida dos Santos, que reside em São Paulo, não foi localizada para comentar o caso. Na época das denúncias, o promotor de Justiça, Paulo Galotti Bonavides, disse que a empresa causava embaraço ao ingressar com recursos no Tribunal de Justiça do Paraná, para obter a inversão do ônus da prova. Ou seja, o próprio Ministério Público precisará dizer que tipo de material estaria armazenado no local e que tipo de risco ele poderia causar ao meio ambiente e à população. “A própria empresa poderia indicar quais produtos depositados apresentam grau de toxidez, facilitando a solução do problema”, disse.

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